Lark
15 de janeiro, 2026
Tenho lido bons livros. Na verdade, eu aprendi recentemente a largar os livros que eu não estou curtindo, então naturalmente, todos os livros que eu termino são bons na minha opinião.
| JORNALZINHO DA LARK | EDIÇÃO #14 • JAN2026 |

Tenho lido bons livros. Na verdade, eu aprendi recentemente a largar os livros que eu não estou curtindo, então naturalmente, todos os livros que eu termino são bons na minha opinião. Sempre gostei de ler, e na ânsia de ampliar minha biblioteca pessoal, acabo comprando muitos livros, inclusive vários que me arrependo logo em seguida; mas ultimamente tenho pegado muitos livros da biblioteca pública também. Não é nenhuma novidade, mas existe um prédio com milhões de livros que você pode ler de graça, logo ali. Incrível né? A gente desaprende algumas coisas tão elementares da vida, mas um dia a gente redescobre elas, e é como andar de bicicleta de novo depois de 10 anos.

Um dos livros que eu emprestei da biblioteca foi O Sol é para Todos, da Harper Lee. Um clássico, eu tinha ouvido falar. Como ouvi falar muito bem dele, fui ler sem nem saber direito do que se tratava, e o que dizem apenas é a mais pura verdade: ele é incrível, um clássico, uma leitura obrigatória. Eu poderia ficar rasgando elogios sobre ele, mas só vou dizer que levei um soco desse livro. Um soco daqueles que te deixam sem ar e te fazem lacrimejar e chacoalham todas as suas estruturas e, sei lá, te fazem cuspir um dente. Eu me espanto como tem gente capaz de fazer isso, sabe? Ir construindo uma trama só com letras e palavras, e bem no meio dela tem um soco violento. Ou um único momento que fica tatuado na sua alma pra sempre.
Quando eu terminei de ler a última página de O Sol é para Todos, eu passei um bom tempo encarando o nada enquanto um pequeno fato ressoava na minha mente. Ele dizia “eu nunca mais vou ser a mesma”. E isso é meio bizarro, quer dizer, como é que uma história que não aconteceu com você, aliás, que não aconteceu com ninguém porque é uma obra de ficção, é capaz de te impactar tanto?
E isso me lembra uma fala (outro soco) do Padre Jud, no filme “Vivo ou Morto”:

É uma contação de história, você tem razão. A questão é, essa história nos convence de uma mentira? Ou ela ressoa com algo bem no fundo de nós que é profundamente verdadeiro, que a gente não consegue expressar de nenhum outro jeito, a não ser a contação de história?
Isso me faz pensar que esses socos violentos talvez não sejam de fora pra dentro, um punho fechado na direção da sua cara. O estrago é porque ele é de dentro pra fora. De alguma forma muito misteriosa e hábil, esses autores são capazes de pegar um fato, um conceito, uma realidade, uma coisa que você sabe que é verdade e que está dormente lá dentro de você, e socar essa coisa pra fora e fazer você finalmente enxergar ela direito. Aquele dente que você cuspiu.
Eu senti isso quando a Scout para em frente à janela do seu vizinho recluso, e enxerga toda uma vida assistida através dessa janela, e entende ele. É o famoso “se colocar no lugar do outro”. Todo mundo sabe sobre isso, não é nenhuma novidade, nem é original. Mas o jeito como a Harper Lee costurou essa trama e todos os fatos da vida dessa menina sulista dos Estados Unidos, até colocar ela em frente a essa janela e te dar esse soco… sabe? Não tem outro jeito de fazer isso, só contando uma história mesmo. E ela fez isso. Ela disse “você tem que se colocar no lugar do outro, lembra?”.
Andar de bicicleta de novo depois de 10 anos.
N O V I D A D E S ( ? )
Beleza, vamos falar de quadrinhos agora. O que eu tenho programado pra esse ano? Nem eu sei direito, eu acabei de voltar das férias, não lembro nem o que eu faço da vida. Mas deixa eu tentar.
Eu vou lançar algum quadrinho esse ano. Eu acho. Só não sei qual ainda. Eu tenho várias ideias, que estou executando em parcelas e meio que ao mesmo tempo. Acho que a que ficar pronta primeiro ganha.
• Uma dessas ideias é um terceiro livro dos fantasminhas, só com tirinhas novas e inéditas (e graças aos céus, muito melhor desenhadas). Eu prometi esse livro nessa postagem (abaixo) em janeiro de 2025, então talvez esse ano ela venha aí.



• Vem aí também, talvez, provavelmente, em algum momento do futuro próximo ou distante, mais alguma coisa dos pássaros. Faz tempo que quero escrever uma história do Mateus, e eu tenho pelo menos 3 ideias de livro. Esse ano, provavelmente sai um zine, e eu não posso falar mais nada além disso. Postei um story essa semana no instagram com um breve gostinho da fase de ideias:

• Também já faz algum tempo (uns 2 anos talvez) que eu estou cozinhando uma ideia de uma nova graphic novel. Outros personagens, outra estética, aquela coisa toda. Dessa eu vou falar menos ainda porque apesar de a história estar quase pronta na minha cabeça, você sabe, sempre tem aquela chance de eu desistir dessa hq e só partir pra próxima. Mas fiquem com essas ceninhas que eu desenhei por enquanto:


A V I S O S

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Até a próxima!
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